Arte de viver nos tempos atuais ou arte de atrair pessoas com jogadas de marketing?…

Foi em abril de 2008. Já ciente das fraudes, fantasias, incoerências e outras coisas desagradáveis de Trigueirinho, mas também sabedor de que havia coisas boas entre seus livros e partilhas, ao ver um pequeno cartaz convidando para sua palestra “A arte de viver nos tempos atuais”, a ocorrer no dia 28 de abril daquele ano no Memorial da América Latina (Barra Funda, S. Paulo – SP), organizei-me para ir. Uma palestra com um título desses em uma cidade conturbada como S. Paulo chama muito nossa atenção, e não me espantei ao ver o auditório do Memorial, que é um ambiente enorme, no dia aprazado completamente cheio.

Pois bem. Já no saguão de entrada, mesas sem fim com livros e mais livros de Trigueirinho, atuando quase como um elemento constragedor sobre as pessoas que adentravam o recinto. Mas o pior mesmo foi a palestra. A coisa ali foi tão absurda que, passados mais de 3 anos, ainda sinto algum mal-estar ao lembrar, pois, além de ter perdido meu tempo (fui à palestra com vistas a aprender lidar melhor com estes tempos vertiginosos, mas ouvi principalmente coisas como a existência de hierarquias de seres involutivos, “conexões” realizadas por estas entidades sobre as pessoas, “cristais” das luas de Júpiter, etc.), constatei que Trigueirinho não só era um fantasista sem par (como já sabia), como é um indivíduo que pode prejudicar as pessoas. A palestra, gravada, posteriormente foi dividida em 2 partes, que foram disponibilizadas em CDs pela Irdin Editora e que podem ser também ouvidas gratuitamente no sítio da mesma. Para ouvir a 1a. parte, clique aqui. Seguem alguns comentários…

1- Trigueirinho inicia sua palestra dizendo que a fé baseia-se no conhecimento, não na ignorância, que o que se baseia na ignorância é a crença. É como sua distinção entre alegria e felicidade. Mero jogo de palavras. Trig é mestre nisso. O nosso ditador, não satisfeito em ditar as regras em Figueira, extrapola a coisa inclusive pro campo semântico…

2- Entre 6″15 e 6″45, ele fala que as conexões que a “Hierarquia das Trevas” coloca sobre alguns nós são instaladas nas articulações sutis de nosso corpo etérico-astral (na cabeça, na nuca, nos chacras e em outros lugares estratégicos), e que esta informação teria-lhe sido passada pela Hierarquia do centro planetário Aurora. Bem, a informação pode até ser verídica, mas sua fonte… Não há qualquer indício de que exista o tal centro planetário, que estaria localizado sob certo ponto da província de Salto, Uruguai. Vale inclusive lembrar do livro homônimo de Trigueirinho (“Aurora”), que faz parte daquele grupo de livros publicados originalmente em 1989 e 1990 em que o recurso da fraude fotográfica foi abundante (vide aqui)…

3- Entre 35″00 e 35″12, Trigueirinho nos diz que antes mesmo de nascermos nossa hora de morrer já está marcada. Bem, esta é simplesmente a sua crença, nada mais.

4- Entre 36″00 e 38″05, ele volta a falar em Aurora (vide item 2, acima) e diz que, segundo informações desse “centro planetário” (forjado na imaginação), existiriam 10 graus de entidades do Mal, que somente 8 estão manifestados atualmente e que os 2 últimos graus, os mais negativos, só irão se manifestar nos momentos finais deste ciclo. Caro leitor, que interesse tem saber se são 10 ou 100 os graus das entidades do Mal ou se são 8 ou 80 os graus manifestados? E mais: o que tem isso a ver com uma palestra intitulada “A arte de viver nos tempos atuais”? Mas o pior foi o que seguiu…

5- “Essas entidades procriam nos nossos corpos… Quando elas entram num corpo nosso, ali elas começam a procriar… (38″07-38″17). Ulalá! Ora, de início Trigueirinho havia falado apenas em “conexões” colocadas nos corpos de alguns de nós que nos deixariam em permanente interação com entidades do Mal; agora, contradizendo-se, não só seriam as próprias entidades que estariam infiltradas nos corpos, como elas se procriariam ali! Quanta imaginação…

6- “Então, quando elas tão colocando as conexões, são as entidades de 5o. grau. São perigosas, hein?” (39″14-39″21). Hilário! Além de não encerrar qualquer significado dizer que entidade de qual grau faz o que, uma vez que o critério para a classificação não foi explicado, mesmo que o fosse, seria uma informação completamente inútil! Mas o trecho valeu pela deixa, que foi engraçada (“São perigosas, hein?”)…

7- Entre 39″44 e 40″01, Trigueirinho diz que quando sonhamos que estamos sendo envolvidos por uma serpente isto quer dizer que uma entidade de 5o. grau está nos trabalhando, nos envolvendo. Quanto simplismo… As coisas não são tão simples assim. Sonhos como o mencionado podem significar muitas coisas, ou até mesmo não ter significado algum…

8- “Então, se vocês vão se sentindo desvitalizados, como se algo estivesse sugando a sua energia, vocês estão com essas coisas de 6o. grau próximas ou já encostadas” (42″11-42″27). Mais simplismo… Obviamente, a sensação de perda de vitalidade pode advir de vários fatores.

9- “As de 7o. grau não só procriam, não só fazem tudo isto que estas outras fazem, como também elas vêm acompanhadas de muitas outras que nem estavam aqui. Então, estas de 7o. grau são muito criativas” (42″40-42″58). Nem tanto quanto o palestrante, valeria acrescentar…

10- “Estas de 7o. grau abrem portas, segundo o conhecimento de Aurora, na altura da cabeça, nos pés, aqui nos ombros e na frente do corpo” (45″01-45″14). Mais informação inútil. E a gente lá, esperando pela “arte de viver nos tempos atuais”…

11- “E estas de 7o. grau, estas têm a capacidade de levar os nossos corpos sutis para outros planos. Estas podem tirar de nós, por exemplo, partes do nosso corpo etérico, podem tirar de nós partes, pedaços do nosso corpo astral, ou levar o corpo inteiro, e nós continuamos aqui, vazios desses corpos” (46″36-47″02). Crer ou não crer? Eis a questão… A mim, parece pura fantasia.

Depois de mais de 50 min nessa lenga-lenga sobre quais graus de entidades malignas fazem o que, etc. e tal, Trigueirinho diz (por volta de 52″30), finalmente, que irá passar pra parte positiva do assunto… E foi justamente aí, na parte “positiva”, que, em minha opinião, ele cometeu o seu maior erro da palestra: faltou com respeito em relação a certa classe de pessoas as quais, talvez, até estivessem ali presentes. Para ouvir esta parte da palestra, clique aqui. Seguem apenas duas observações, uma vez que depois da segunda creio não haver a mínima necessidade de continuarmos.

12- Por volta de 13″30, Trigueirinho nos diz que certas entidades negativas estão sendo mandadas embora. “Não mandado embora da Terra, mas mandado embora do Universo!”. Precisa comentar?…

13- Agora, a parte mais repugnante da palestra. Começando em 21″05 e indo até 21″55, Trigueirinho nos diz, em referência àqueles que não estudam e aprendem coisas continuamente: “Então, o cérebro, em vez de ficar cada vez mais lúcido, em vez de ficar cada vez mais desperto, cada vez mais capaz, porque já tem idade, já tem experiência, já tem uma massa bem feita (!), em vez dele ficar cada vez melhor, ele vai ficando decrépito. Vocês não conhecem tanta gente decrépita?… Sabe por que que eles são decrépitos? Porque num momento importante da vida deles eles pensaram que já sabiam tudo, ou que já sabiam o suficiente. Aqueles que são decrépitos ou aqueles que têm o cérebro que não funciona muito bem é porque num determinado momento da sua vida disse: Bom, eu já sei o suficiente, já estou bem“. Esse sujeitinho mereceria cadeia, tamanha a sua irresponsabilidade! Ora, as causas de demência cerebral decorrem dos mais variados fatores. Fora completamente imprudente a afirmação de Trigueirinho assinalada acima. Em especial, um desrespeito a toda uma classe de idosos. E o mais irônico: o insulto vindo justamente dele, um indivíduo cujos livros e palestras são eivados de contradições, tanto de conceitos quanto do ensinamento em si…

Você, leitor, depois de tudo isso que acaba de ler, ainda teria a coragem de considerar esse sujeito (decrépito!) como um autêntico mestre espiritual?…

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7 Respostas to “Arte de viver nos tempos atuais ou arte de atrair pessoas com jogadas de marketing?…”

  1. Marco Says:

    As incoerências do sr. Intrigueiro chegam a ser patéticas. Se a falta de informação gera decrepitude, o excesso deve causar trigueirices. Acho que mais interessante do que estudar uma mente doentia como a dele, é debruçarmos sobre a psique dos seus seguidores. Por que querem acreditar nele? Minha única resposta é que há uma busca sincera de todo ser humano em encontrar algo ‘eterno’ dentro de si, o problema é confundir esse ‘eterno’ com os elementos passageiros e mutantes de nossa psique. Intrigueiro é um caso clássico do que ocorre com o ser humano quando o Espírito é eclipsado pela mente. Como não mais existe uma tradição séria que defenda suas fronteiras, como o possui as ciências, o pântano toma conta dos assuntos da alma. Intrigueiro só existe em sociedades liberais como a nossa onde não mais existe um centro espiritual em torno do qual os elementos gravitam.

  2. Miriam Says:

    @Admin, seria interessante que voce publicasse seu criticismo e crenças pessoais assinando com seu nome verdadeiro, ao invez de se esconder atras de um psedonimo.

    Ao meu ver, a maior parte de suas criticas tem como fundamento um medo profundo, e nao provam nada além da sua crença particular e sem fundamentos.

    Voce já foi a Figueira? Nao tem nada de ditadura, é uma comunidade maravilhosa e harmoniosa, um lugar com uma das vibraçoes mais positivas que eu ja tive a oportunidade de visitar.

    E esse negocio de dismiuçar frases para criticar é uma tatica antiga que da margem a interpretaçoes variadas fora de contexto.

    • Admin Says:

      Sra. Miriam:

      Admin vem de “administrador” (no caso sou o administrador do blog), portanto, não se trata de um pseudônimo. Ademais, não penso haver a mínima necessidade de declinar meu nome aqui. Os leitores devem avaliar os artigos, não a identidade do articulista.

      Respeito sua crença particular (eh, eh…) de que a maior parte de minhas críticas tem como fundamento um medo profundo, mas o que posso dizer é que isso não é verdade (e ninguém melhor do que eu mesmo pra saber de minhas motivações). Tais críticas partem, isso sim, de uma indignação profunda. É triste ver um indivíduo doente, desequilibrado e megalomaníaco, ceifando as possibilidade vitais de dezenas de pessoas de bom coração.

      Respeito da mesma forma sua opinião pessoal de que meu criticismo em geral não prova nada além de uma crença particular e sem fundamentos, porém, seria mais interessante, para o meu próprio aprendizado e para a ciência dos leitores deste blog, que a senhora apontasse claramente elementos que justifiquem sua afirmação.

      Já fui à Figueira, e gostei de lá. Agora, que a coisa funciona na base de regras rígidas, é inegável. Todo mundo que vive ou já foi lá sabe disso.

      Quanto ao negócio de *esmiuçar* frases (aprenda a escrever primeiro, moça!), esta “tática” é comum em qualquer trabalho crítico que se preze. Links para a palestra comentada foram fornecidos no texto. Então, se alguma coisa ali está fora de contexto, o leitor tem em mãos os elementos necessários para perceber, caso em que espero ser avisado a respeito.

  3. Paulo Triguis Says:

    Bom dia, meu amigo.

    Agradeço o montante de informação que você nos proporcionou com seu belo artigo. E realmente as linhas “esotéricas” são, em muitas das vezes, vagas, dando margem para que possamos perceber o quão distante estão da verdade, ou da nossa capacidade de entendimento.

    Existem hoje inúmeras pessoas e grupos atuando sobre esta vertente, que parece crescer desmedidamente, talvez devido a uma carência comum em todo ser humano.

    Mas o julgamento, ou o pré julgamento, por mais verdade que nos pareça, ainda assim são apenas nossas verdades. Como nos disse Drummond, todos encontram suas meias verdades e se iludem pensando ter nas mãos sua totalidade.

    Eu por muito tempo busquei fontes para sanar minhas crises existenciais, e hoje, cursando o meu último ano de faculdade, tendo voltado à vida normal, me coloco diante da mesma com muita humildade, pois neste meio muito do que eu pensei ser mentira se tornou verdade, e o que era verdade se tornou mentira.

    O que somos nós enfim?
    O que estamos fazendo aqui?
    E para onde vamos?

    Pistis Sophia vem atormentar todo o ser que tenta de alguma forma manter-se lúcido nesta sociedade que nos ilude enquanto a vida passa.

    Muitas pessoas, meu querido amigo, dizem saber isso ou aquilo, mas o diferencial não está em quem sabe, mas sim em quem faz acontecer o que sabe. Assim como você o fez, ao escrever este artigo. Meus parabéns.

    Eu não me afino com Trigueirinho, me afino talvez com a sociedade que ele criou em Figueira, e entendo a rigidez dele como disciplina, a qual é essencial a qualquer prática espiritual.

    Quanto as pessoas que supostamente ele ilude com suas fantasias, saiba que elas merecem, pois elas são o que buscam pra si, e isso as contenta. A não ser que apareça um ser com outros ideais, com outros princípios, que chame a atenção destas pessoas, e as “converta”, para o princípio do reto agir. Mas críticas e julgamentos não nos levam a nada, o novo, a criação, esta sim mostra a verdade, mostra caminhos.

    As pessoas vivem nas cidades de pedras iludidas por um sistema desigual, enganados pela utopia gerada através da mídia, e não sofrem de mal diferente dos seguidores de Trigueirinho.

    Peço desculpa se de alguma forma fui ofensivo, e agradeço pelo artigo, me fez bem, me fez lembrar que a verdade não está em que sabe, mas em quem faz, meu exemplo foi meu amigo Chico Xavier.

    A verdade é íntima, e ela acontece quando nós conseguimos exteriorizar o que acreditamos.

    Abraços fraternais, meu amigo, mude o foco, mas permaneça digno.

  4. teotimo Says:

    Pega leve, cara!!! Desse jeito é você quem vai ficar decrépito logo, logo… hehehehe

  5. aline Says:

    Guarde suas “verdades” pra vc, pq por mais que sejam absurdas as “verdades” dele as suas observações tb não contêm nenhum fundamento. Vazias, tanto quanto as dele.

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