Trigueirinho e o sentimento de humanidade

No post anterior (veja) eu havia falado que continuaria nos seguintes com resumos de algumas críticas sensatas sobre o trabalho de Trigueirinho veiculadas na imprensa. Decidi, porém, dar outro rumo às publicações aqui. 

São tantos os problemas apresentados na obra escrita e falada de Trigueirinho que fica difícil escolher por onde começar: se pelas suas mentiras conscientes, se pelas leviandades, se pelas informações incorretas, se pelas fantasias, se pelos nonsenses, se pelos juízos claramente desequilibrados, se pela falta de entendimento das dores humanas, se pela falta de respeito a idosos doentes, se pela “arte de nada dizer”, se pelas incoerências nos conceitos apresentados, ou se pelas incongruências no ensinamento apregoado. Gostaríamos do feedback dos leitores deste blog neste sentido. Entrem em contato para que possamos dirigir melhor o material que temos a respeito.

Não queira o leitor imaginar que estamos a acusar Trigueirinho por simples sadismo ou coisa do tipo. Não! De forma alguma. Toda vez que sentamos ao computador para escrever algo a respeito vivenciamos uma difícil catarse. É sempre desagradável a tarefa de acusação. Por outro lado, estamos certos de que não podemos silenciar. Seria egoísmo de nossa parte. Ver um sujeito como Trigueirinho passar-se por “profeta dos tempos atuais”, por “iluminado”, causa-nos ao mesmo tempo indignação e pena. Indignação por saber que muita gente simples, de bom coração, vem caindo nessa, entregando suas existências aos caprichos dele, uma pessoa perigosa, pois que frequentemente artífice de forças obscuras. E pena por saber que logo Trigueirinho pagará ceitil por ceitil os danos de sua irresponsabilidade.

Sentimos o dever premente de avisar os neófitos no caminho espiritual sobre quem é esta personalidade da qual estamos tratando. É simplesmente por isso que dedicamos parte de nosso tempo à atualização deste blog, que visa mostrar as várias classes de erros e mentiras presentes na obra de Trigueirinho. Isto não quer dizer que todo o trabalho dele é inútil ou mal. Não! Apenas mostra que, se você é um buscador da Verdade, o estudo dos livros e palestras de Trigueirinho, salvo algumas poucas exceções (é sempre bom frisar), representaria uma perda de tempo de sua parte. Dessa forma, poupo-lhe o tempo que eu mesmo perdi.

Hoje abordaremos uma palestra de Trigueirinho na qual, dentre incoerências, nonsenses e fantasias, percebemos nitidamente sua leviandade e falta de entedimento das dores humanas: trata-se de “Como atravessar os momentos críticos de hoje” (n. 126 da série 14, “Reflexões”). Com 37 min, foi apresentada em Figueira em 10/11/2001 (pode ser ouvida aqui) e – pasmem! – está também disponibilizada em um CD com tradução simultânea para o inglês. Analisemos…

1) Entre 2″16 e 2″26, Trigueirinho diz que fenômenos produzidos por nossos irmãos maiores ocorrem nos céus justamente para lembrar-nos de que se trata de algo lá em cima, elevado. Ora, sigamos este raciocínio e, inevitavelmente, teremos de considerar os supostos mundos intraterrenos que ele apregoa como o que há de mais inferior… Incongruência no ensinamento!

2) Entre 23″47 e 24″07 (observem o tom do “mandãozinho” lá), Trigueirinho diz que devemos ficar com a consciência no futuro, não no presente. Ora, mas isto além de contradizer ensinamentos de grandes sábios que nos dizem para permanecermos sempre no presente, contradiz o que o próprio Trigueirinho já havia falado e escrito em outras ocasiões, como “não criar expectativas”, “esvaziar-se de ideias sobre o destino”, etc. Incongruência no ensinamento!

3) Entre 27″52 e 28″04 (o tom desequilibrado continua), Trigueirinho diz: “Não é ir se preparando, porque nós já estamos muito preparados. Tamos muito preparados. O que precisa agora é não achar que já está preparado”. Precisa comentar? Puro nonsense!

4) Entre 28″29 e 28″40, ouvimos: “Porque qualquer coisa que passe pela nossa cabeça, isto é um enfraquecimento da nossa estrutura, isto é um esvaziamento da nossa capacidade”. Juízo claramente desequilibrado! Ou será que Trigueirinho estava com a intenção subliminar de manipular seus ouvintes de cabresto?… Ou será que, insano que é, teria tomado a si mesmo como referencial?… Bem, de qualquer forma, o problema não é a cabeça, mas o uso que se faz dela.

5) Entre 29″00 e 30″17, ouvimos a leitura de Trigueirinho de uma questão em que era exposto que um indivíduo salvou algumas pessoas de um grave acidente mas não foi ajudado por elas quando precisou. Resposta do Trig? Não foi ajudado porque deveria ter salvo mais pessoas… Na outra vida teria sido responsável por um número de mortos maior do que a quantidade de pessoas que salvou… Isto é leviandade! Aliás, uma constante em Trigueirinho. Ele vive a falar de coisas que não estão ao seu alcance, e sempre responde como se soubesse. Típico de manipuladores…

6) Entre 30″25 e 30″57, Trigueirinho diz que, se salvamos 4 pessoas, é sinal que podemos salvar 4 milhões; se cuidamos de 40 pessoas, é sinal que podemos cuidar de 40 milhões; que devemos multiplicar por milhões o que fazemos para aferir nossas possibilidades. Mais um juízo claramente desequilibrado. Alguém em sã consciência afirmaria isso?

7) Agora o ponto principal que gostaríamos de chamar a atenção do leitor. É de causar indignação. Começando em 31″48 e indo até 32″38, Trigueirinho relata um comentário de uma pessoa que tem muito medo de morrer afogada e diz o seguinte: “Quem tem medo de morrer de alguma forma perca esse medo. Porque, se tem medo, é porque já morreu assim e não gostou. (Risos da plateia.) Então, essas pessoas que têm muito medo de morrer afogada descansem… A não ser que não tenham sido afogadas bem. (Mais risos.) Ainda tem que terminar de ser afogado. Mas se já morreu afogado não tem mais que morrer afogado”. Além da tremenda leviandade ao tratar de forma jocosa um assunto que perturba milhares de consciências por esta planeta afora, qual seja o de traumas causados por mortes em vidas passadas, e de afirmar que quem já morreu de uma maneira não mais morrerá daquela forma (ninguém pode afirmar isso!), ele demonstra claramente que não tem entendimento das dores humanas, que tem sérios problemas no campo sentimental e que falta-lhe o sentido de humanidade. Ah, Sr. Trigueirinho, estivesse eu nesta sua palestra e o senhor ouviria tudo o que merece!

Fiquemos por aqui.

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4 Respostas to “Trigueirinho e o sentimento de humanidade”

  1. Camilla Says:

    Vc está complemente equivocado. Mas já é de se esperar… depois que Jesus morreu na cruz… como não receber julgamentos de pessoas pouco esclarecidas?

  2. Admin Says:

    Desde os tempos de Jesus – e até antes – pululam fanáticos ideológicos neste planeta. Para estes, não importam os argumentos contrários àquilo em que acreditam: os errados serão sempre os outros, os “pouco esclarecidos” serão sempre os outros…

  3. Carlos Ribeiro Says:

    Não, não acredito que você esteja totalmente equivocado, como a moça diz aí acima. Uma boa parte do que diz neste e no outro post tem fundamento, é preciso deixar aqui registrado, mas há outras coisas sem fundamento, pois o conhecimento é sempre parcial e avança por erros e acertos. É uma área complexa, e Trigueirinho também erra ao não reconhecer o papel da suposição e imaginação perscrutadora (esta ele elogia num livro e depois nega em outros).

    (…)

    Trigueirinho não é nada “filósofo”, como dizem seus seguidores, e se já teve essa qualidade no início ele a perdeu. Mas há sempre quem precise disso, e ele se amoldou ao nível e espectativas de seus seguidores, há muito tempo. Os seus mentores, as vozes que o incitam, também parecem pregadores fanáticos ignorantes das condições humanas. Acham que todos ficam aqui porque o mundo é uma delícia morna e ninguém paga o preço… Vida “espiritual morna” é a deles, com suas batalhas sutis, onde pretendem tudo garantido e protegido.

    Mas eu só elogiaria publicamente ou sem restrições o trabalho deste blog se houvesse também uma comparação com outras formas de alienação mental e espiritual, como o “espiritismo”, que chega ao abuso de dizer que Kardec foi previsto na Bíblia (e se fosse? e daí?) e uma imensa galeria de idéias mórbidas e doentes, além do incentivo irrestrito a lidar com fenômenos ou presenciá-los. Temos correntes melhores de sabedoria falando disso, e bem anteriores.

    Como alguns posts aqui já saíram do tema, estendendo a crítica das muitas incoerências de Trigueirinho (que acho boa parte corretas) a suas fontes de inspiração (sabedoria das eras e seus buscadores), como “só capazes de dar frutos podres”, vejo que NÃO HÁ IMPARCIALIDADE, OBJETIVIDADE E UMA TOTAL HONESTIDADE neste espaço. Pois o “espiritismo” é cheio de incoerências sobre os fenômenos, os níveis, as manifestações, se traveste de um aspecto religioso e, como Trigueirinho, é seguido por pessoas incapazes de encontrar o equilíbrio, o fundamento e o pensamento adequado em si mesmas.

    Além disso, muitos precisam de coisas tão alienantes e insatisfatórias como espiritismo, Figueira e outras. Restam as fontes do conhecimento transformador, que dão um novo sentido às ações cotidianas e nos muda sutilmente (palavra da qual Trigueirinho abusa só para falar de manifestações físicas ou sutis). Para quem sabe ler e entender, resta o conhecimento.

    • Admin Says:

      Prezado Carlos:

      Em nenhum momento eu (administrador do blog) teci críticas às fontes de inspiração de Trigueirinho. Quem disse que elas seriam “só capazes de dar frutos podres” foi um comentarista do blog.

      É fato que transformei uma seleta de comentários em postagens, mas isto não quer dizer que endosso tudo o que está escrito ali. Muito pelo contrário. Discordo de muita coisa. Mas ao mesmo tempo esforço-me para que este espaço seja o mais aberto possível para opiniões diversas, desde que dentro de sua proposta (questionamentos sobre a “doutrina” de Trigueirinho e a comunidade dele).

      Sinceramente, não sei o que teria a ver o não-apontamento das “muitas incoerências” do espiritismo (que, diga-se de passagem, o senhor não mostrou umazinha sequer) com o fato deste blog não ser totalmente “imparcial, objetivo e honesto”. Se puderes nos aclarar este ponto, agradecemos.

      De minha parte, acredito que há, sim, imparcialidade, objetividade e honestidade em tudo o que publico aqui (entenda: em todos os textos não assinados por outrem). Caso discordes disso, por obséquio, teça comentários nos pontos em que as “falhas” foram identificadas.

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