Mais uma fraude fotográfica: o caso da capa do “Sinais de Figueira” n. 17

Cá estou de volta…

Meu último contato com os trabalhos de Trigueirinho e sectos foi em fins de 2008, quando então adquiri o “Sinais de Figueira” (boletim editado pela Associação Irdin Editora e que propaga as idéias de Trigueirinho) do primeiro semestre de 2009. Este boletim pode ser visto aqui. Logo na capa do referido boletim, observamos uma foto a que os editores referem-se como “vórtice de energia em uma passagem interdimensional em Figueira”. Bem, só se for vórtice de energia da mentira!… O efeito mostrado pode ser obtido sem dificuldades até mesmo por fotógrafos amadores. É claro que isto por si só não é suficiente para considerarmos a irrealidade do fenômeno mostrado, mas, se nos lembrarmos que fraudes fotográficas foram constantes em quase todos os livros de Trigueirinho publicados em 1989 (tratarei disto em outros posts), nos quais imagens de supostas “naves intraterrenas e extraterrenas” foram estampadas nas capas para atrair incautos sugestionáveis, então temos toda a razão em desconfiarmos da veracidade do tal “vórtice de energia”. Mas a coisa não para na simples possibilidade de fraude. Se lermos com cuidado o número de “Sinais” em questão, observamos que a falsidade do referido fenômeno é denunciada pela própria historieta elucubrada pela dupla Clemente-Trigueirinho (Clemente teria sido o fotógrafo da foto em questão) para enganar os leitores. Vejamos…

Na p. 5 daquele boletim, Trigueirinho diz o seguinte (grifo meu): “Em Figueira, todavia, uma dessas passagens [interdimensionais] mostrou-se ao Dr. José Maria Campos (Clemente), que a fotografou. (…)”. Ou seja, Clemente teria visto o “portal” antes de fotografá-lo. Entretanto, na página seguinte, onde existe um texto do próprio Clemente, lemos a seguinte nota explicativa (grifos meus): “A foto da capa foi tirada no primeiro encontro com o jequitibá, sem nenhum recurso fotográfico especial. (…) Diante da foto, indaguei internamente sobre sua autenticidade. (…)”.  O primeiro ponto que nos chama a atenção é que Clemente não descreve sua visão do portal, descrevendo tão somente sua reação diante da fotografia. Muito estranho… Trigueirinho não havia falado que Clemente vira o portal?… Agora, o ponto crucial de minha observação, que gostaria de ressaltar, é que o próprio Clemente desconfia da autenticidade da foto! Que conversinha fiada é essa? Se ele realmente tivesse visto algum portal e, principalmente, se ele realmente tivesse fotografado algum portal, não haveria razões para desconfianças. Assim, não é difícil constatarmos que tudo não passou de uma farsa. O curioso é que, diante de sua indagação interna, Clemente recebera a seguinte resposta: “Está tudo bem, mas não se apegue a fenômenos”. Resultado? A fraudulenta foto estampada na capa do “Sinais de Figueira”… Isso é que é não se apegar a fenômenos?… Esse povo nem mesmo consegue inventar mentiras convincentes!

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13 Respostas to “Mais uma fraude fotográfica: o caso da capa do “Sinais de Figueira” n. 17”

  1. Vinicius Says:

    Muito pertinentes seus comentários. Gostaria de saber mais.
    Abraço.

  2. Anônimo Says:

    A esses comentários podemos dar os nomes de inveja, ignorância, religiosidade encrustada no ser e falta de aperfeiçoamento naquilo que é necessário para a vida.

    • Admin Says:

      Fique à vontade para dar outros nomes que quiser (mostrando seu “aperfeiçoamento naquilo que é necessário para a vida”). E, de preferência, aproveite e explique a contradição apresentada, a saber: Trigueirinho diz que Clemente teria visto o tal “portal interdimensional”, mas o próprio, no relato do ocorrido, descreve apenas seu espanto diante da fotografia do mesmo, e ainda teria duvidado da autenticidade dela!… Se puder, refute também as análises de dois conhecidos ufólogos que denunciaram grosseiras fraudes fotográficas perpetradas por Trigueirinho em seus livros de 1989 (aqui).

  3. Anônimo Says:

    Boa Tarde Admin, recebi um e-mail com este texto e, após uma primeira leitura, resolvi entrar no blog e ler o post original para me certificar de que não houve erro de transcrição no e-mail, porque não pude concordar com sua interpretação. Após ler o post no blog, e persistindo a minha discordância, procurei a matéria original no referido boletim Sinais de Figueira nº 17 para ler as matérias originais e mais uma vez persistiu a discordância que é a seguinte: na página 5, conforme corretamente transcrito no post, encontra-se a frase: “Em Figueira, todavia, uma dessas passagens mostrou-se ao Dr. José Maria Campos (Clemente), que a fotografou”. Com base nesta frase e no relato do próprio Clemente, você entendeu que ele teria primeiro visto o portal e em seguida feito o registro fotográfico. No entanto, não é isto que está escrito e nem foi isto que eu entendi. Ali está escrito que o portal mostrou-se. Ora, existem várias formas de uma realidade interna se mostrar a nós. Uma delas é a nossa própria percepção interna. Se tivesse sido este o caso, não teria havido contato em plano físico, mas nem por isso o portal teria deixado de se mostrar. Outra forma, seria uma materialização, com um fenômeno visível aos olhos físicos (que foi o que você entendeu). Evidentemente, aqui também cabe o verbo mostrar-se. Ainda outra forma, que ocorre com frequência, é através de fotografias, onde o fotógrafo nada percebe com seus olhos físicos, só percebendo o fenômeno mais tarde, ao examinar a fotografia. Mais uma vez, o verbo mostrar-se se aplica, pois teria sido esta a forma de se estabelecer contato, ou seja, o portal não se mostrou diretamente aos olhos físicos de quem fotografou, mas sim indiretamente, através da fotografia. Nem por isso (por ter sido por via indireta) ele deixou de se mostrar.

    O que está escrito no texto de Trigueirinho é pura e simplesmente que o portal se mostrou ao Clemente, o que, como vimos, pode se dar de várias maneiras (citei apenas três, mas podem haver outras). Trigueirinho não entra em detalhes de como se deu esta exposição do portal. Mais tarde, lendo o texto do próprio Clemente vemos que em nenhum momento ele fala que viu um portal. O texto se refere apenas ao Jequitibá. Na nota explicativa, tampouco fala que ele viu fisicamente o portal. O que está dito é: “Diante da foto, indaguei internamente sobre sua autenticidade”. Ele não diz: “Diante do portal, indaguei de sua autenticidade”. Portanto, o que se pode depreender do que está escrito (estou me atendo apenas ao que está escrito) é que ele apenas tomou conhecimento do portal através da foto. Ou seja, ele fotografou o jequitibá e, mais tarde, ao examinar as fotos se deparou com o portal. Isto está plenamente de acordo com a frase de Trigueirinho: “uma dessas passagens mostrou-se ao Dr. José Maria Campos”.

    Com base no seu entendimento do verbo mostrar, que você interpretou como sendo o mostrar-se fisicamente, você fundamenta sua percepção de fraude, comentando: “O primeiro ponto que nos chama a atenção é que Clemente não descreve sua visão do portal”. Mas ele não disse que viu, você entendeu assim. Mais adiante, você questiona: “Trigueirinho não havia falado que Clemente vira o portal?”. Não, ele meramente falou que o portal mostrou-se ao Clemente. Novamente, você entendeu, sem nenhuma base no que está escrito, que isso se deu através da visão dos olhos físicos. A isto dá-se o nome de ilação: quando nós interpretamos e fazemos inferências subjetivas sobre o que estamos lendo.

    Gostaria de deixar claro que não estou entrando no mérito da autenticidade ou não do portal, de Clemente, e nem de Trigueirinho. Trata-se meramente de uma questão de interpretação de textos, matéria pertinente ao estudo da Língua Portuguesa. Infelizmente, neste oceano de conhecimento que é a internet, escreve-se muito mal, lê-se muito mal e interpreta-se muito mal, dando margem a muita confusão. Espero ter colaborado para esclarecer. Um Grande Abraço.

    • Admin Says:

      Comentando por trechos…

      Primeiro parágrafo:

      Você diz que, com base na frase “Em Figueira, todavia, uma dessas passagens mostrou-se ao Dr. José Maria Campos (Clemente), que a fotografou”, eu teria entendido que “ele teria primeiro visto o portal e em seguida feito o registro fotográfico”. Ora, a questão não é de entendimento, mas de simples constatação.

      A seguir, você afirma: “Ora, existem várias formas de uma realidade interna se mostrar a nós” (grifo meu). E aqui já começou a SUA ilação a respeito da coisa (justamente você, que adiante me acusaria disso, mostrando-se então mais um(a) hipócrita a sair em defesa de Trigueirinho e sua turma). Ora, o foco do texto é um aludido PORTAL. E, sendo PORTAL, a percepção de sua existência SÓ poderá se dar mediante elementos VISUAIS (que poderão ser físicos ou não). Isto é a mais inconcussa obviedade!

      Adiante, mostrando-se incapaz de interpretar corretamente o que eu disse, você afirma: “… Outra forma, seria uma materialização, com um fenômeno visível aos olhos físicos (que foi o que você entendeu).” Não, não foi isso o que entendi e muito menos o que disse. O que falei foi simplesmente que, segundo o texto de Trigueirinho, Clemente teria VISTO o portal, mas em MOMENTO ALGUM entrei na questão de como esta visão teria sido obtida, se por meios físicos ou não.

      Continuando, você afirma: “Ainda outra forma [de constatação de uma realidade ‘interna’], que ocorre com frequência, é através de fotografias, onde o fotógrafo nada percebe com seus olhos físicos, só percebendo o fenômeno mais tarde, ao examinar a fotografia.” Sim, apesar de fotografias poderem revelar elementos que escapam à nossa visão física, a possibilidade de que o “portal” teria se mostrado dessa forma a Clemente NÃO encontra guarida na frase de Trigueirinho (acima, em negrito). Para que assim fosse, ele teria que ter dito algo como “Em Figueira, todavia, uma dessas passagens mostrou-se ao Dr. José Maria Campos (Clemente), através de uma fotografia”, que não foi o que ele disse.

      Segundo parágrafo:

      Traído inconscientemente para tentar salvaguardar a coerência do que foi dito a respeito do portal naquele “Sinais de Figueira”, você afirma: “O que está escrito no texto de Trigueirinho é pura e simplesmente que o portal se mostrou ao Clemente” (grifo meu). Erradíssimo! Irei repetir de novo o que ele disse (agora misturando negrito e garrafais — talvez assim surta algum efeito): “Em Figueira, todavia, uma dessas passagens mostrou-se ao Dr. José Maria Campos (Clemente), QUE A FOTOGRAFOU”. Da maneira como está escrito, não há como fugir do fato de que a percepção visual do portal teria precedido o registro fotográfico.

      Sim, mais tarde, lendo o texto de Clemente, vemos que em nenhum momento ele fala que viu o portal. E aí é que está a contradição!…

      No fim deste parágrafo, mais uma vez tentando desesperadamente provar o improvável, você SUPRIME uma parte essencial da fala de Triguerinho ao afirmar, após ter reproduzido e discutido a respeito do que Clemente dissera a respeito, o seguinte: Isto está plenamente de acordo com a frase de Trigueirinho: “uma dessas passagens mostrou-se ao Dr. José Maria Campos”. Você se “esqueceu”, mais uma vez, do QUE A FOTOGRAFOU, que é justamente a parte que, juntamente com o trecho que a precede, endossa a contradição que relatei na postagem…

      Terceiro parágrafo:

      Você diz que eu interpretei o verbo “mostrar” como mostrar fisicamente… Eu não interpretei nada, seu burro(a)! Em MOMENTO ALGUM, como já disse, eu falei que do trecho dito por Trigueirinho depreender-se-ia que Clemente teria visto fisicamente o portal! (Ainda que, se depois ele conseguiu fotografar a coisa, é porque a manifestação fora mesmo física, do contrário NUNCA poderia ter sido registrada fotograficamente…)

      Todo o resto deste seu parágrafo esteve baseado em considerações já refutadas acima.

      Último parágrafo:

      Sim, ainda que exista a questão mencionada sobre a captação de imagens mediante câmeras fotográficas, matéria ligada à Física, o ponto central da postagem é a mera interpretação de texto, matéria pertinente ao estudo da Língua Portuguesa, e você, IMBECIL que é, só veio somar sua voz à turba de impensantes que pululam pela Internet!… Não bastasse isso, mostrou-se também HIPÓCRITA, pois, ao resolver criticar as “falhas interpretativas” de meu texto, você não fez outra coisa se não mostrar-se completamente incapaz para esta tarefa… Da próxima vez, volte mais bem aparelhado, ok?

    • Wamberto Picolli Says:

      Lindo, maravilhoso, magnifico, claro… não devia ser anônimo…

  4. Jonas Says:

    Eu estava lá quando essa ridícula fraude da imagem do suposto portal foi publicada. Eu conhecia bem o pessoal que trabalhava na edição dos “Sinais de Figueira” nesta época e vi a dita foto antes mesmo de ser publicada. A cara deles de descrédito, ao olharem ou comentarem sobre a foto, era indisfarçável. Eu mesmo, com meu menor entendimento, via claramente que não se tratava de uma distorção ótica natural causada pelo que poderia ser algum campo magnético ou coisa do tipo, o que iria causar uma distorção por refração com efeito obviamente 3D na imagem, já que vivemos num ambiente 3D. Mas o que se via claramente era que os pixels da imagem foram grosseiramente arrastados num efeito de distorção 2D, o que é típico de efeitos simples de programas de manipulação de imagens. Algo de amador mesmo. Um deles chegou a perguntar pro outro: a gente vai colocar isso nos Sinais?
    A coisa foi motivo de desconfiança mesmo para os menos entendidos lá dentro. E, quando mostrei a tal foto pra uma das pessoas que trabalhavam comigo, ela simplesmente, após alguns segundos, virou as costas com ar de decepção e continuou com o que estava fazendo sem dizer uma palavra.
    Em resumo, esse foi mais um dos tiros nos próprios pés sofridos por Figueira. Mais uma dentre as tantas tentativas ridículas e desesperadas de ouriçar os ânimos dos mais fanáticos.

  5. Paulo Matos Says:

    Estou lendo as postagens, seguidamente, pois só encontrei esse endereço agora. Como sugestão ao Admin, tente ser mais amoroso com os menos avisados, ou mesmo os cegos. Até os arrogantes ou os fanáticos. Tente prestar um serviço de qualidade. Você decidiu tornar públicas suas experiências com Figueira e abriu um canal para que outros se manifestassem. Então o que peço é que se esforce em ser o melhor que poder na prestação desse serviço. A agressividade não nos é necessária, ainda que ultrajados. É nosso caminho espiritual que está em jogo. Como sugestão, se poupar os leitores de agressões, ajudará muito mais. Se não somos trigueiristas, não precisamos de ser truculentos em cercear a manifestação de opiniões ainda que contrárias. No direito de resposta, justo, que seja uma resposta isenta tanto quanto possível de emocionalidades, pois isso fala contra o seu discurso e o rebaixa à condição de mero ressentido de Figueira. Sei que você não é só isso. Que Deus o abençoe no seu esforço de mostrar uma verdade inconveniente para alguns. Muitos precisam de ganhar um mínimo de senso crítico, e você e os que participam estão a fazer isso. Grato. Um abraço.

    • Admin Says:

      Agradecido pela sugestão. Tentarei me policiar mais. Mas preciso fazer uma ressalva às tuas colocações: não decidi criar este blog com o intuito de tornar públicas minhas experiências com Figueira. Nada disso. Leia aqui para saber dos objetivos iniciais deste espaço. Outra coisa que devo lhe dizer é que não só não sou mero ressentido de Figueira, como não tenho qualquer ressentimento de lá, onde estive apenas por 1 semana. Já disse isso mais de uma vez neste blog…

      Abraços.

  6. paulo Says:

    Eu estive em Figueira e vi realmente (a olhos vivos) portais. Creio que não estou fraudando a mim mesmo. Podemos provar que Jesus não existiu, que o homem não pisou na Lua, no entanto que prova isso? Nada; pois, Jesus existiu e o homem pisou na Lua, simples assim!

    • Admin Says:

      Não, meu amigo, se pudéssemos *provar* que Jesus não existiu e que o homem não pisou na Lua, *provado* estaria, não haveria margem para discussões. Ademais, mesmo que você tenha visto portais em Figueira, isto não torna verdadeiro o “portal” objeto da postagem acima.

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